Escolho falar deste projeto porque me obrigou a ser muito claro nas decisões, onde não havia espaço para soluções fáceis nem para repetir fórmulas que funcionam. Tudo o que entrava tinha de fazer sentido dentro de uma lógica única, construída de raiz.
Parti do padrão Missoni, mas não enquanto imagem reconhecível. Interessa-me sempre perceber o que está por trás. A Missoni, desde os anos 60, trabalhou o têxtil como linguagem própria, muito ligada ao gesto, à sobreposição de cor e a uma certa liberdade dentro da repetição. O zig-zag tornou-se icónico, mas o mais relevante não é o desenho em si, é a forma como ele nunca é totalmente rígido. Há sempre variação, há sempre uma vibração quase orgânica que impede o padrão de se tornar estático.
Foi essa lógica que trouxe para o projeto.
O trabalho começou no desenho. Desenvolvi alguns dos tecidos, ajustando o padrão à escala da mesa, controlando a intensidade cromática para que não saturasse. Há uma ideia muito consciente de continuidade, mas também de pausa.
Os leques pintados à mão surgem exatamente nessa necessidade de introduzir variação. Não queria um ambiente demasiado limpo ou excessivamente controlado. O gesto manual traz espessura, traz presença.
Na componente floral, procurei afastar-me de qualquer lógica de centro de mesa fechado. Trabalhei a mesa como um campo contínuo, com massas que se desenvolvem e se prolongam. As dálias dão corpo, mas são os elementos mais leves, quase difusos, que criam profundidade e movimento. Há sempre uma tentativa de evitar rigidez, de deixar o conjunto respirar.
O contraste entre o desenho gráfico do tecido e a fluidez das flores era essencial. Um equilibra o outro. Se tudo fosse orgânico, perdia-se tensão. Se tudo fosse controlado, perdia-se vida.
Os verdes existentes já tinham peso suficiente, por isso o trabalho passou por acrescentar sem competir. A paleta construiu-se a partir daí, com cuidado para não quebrar essa continuidade. O lounge segue essa mesma leitura. Materiais naturais, volumes baixos, uma escala mais contida. Funciona quase como um momento de desaceleração dentro do conjunto.
No fundo, é um projeto onde tudo foi pensado ao detalhe, mas sem nunca parecer demasiado rígido. Esse equilíbrio é o mais difícil de conseguir e, para mim, é onde o trabalho se torna realmente consistente.